Empresário alvo de operação por tentar desviar herança da Unip já foi investigado por falsificar laudo contra Boulos

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Operação mira grupo por tentar desviar quase R$ 900 milhões A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de nove investigados suspeitos de integrar um esquema criminoso que teria tentado desviar quase R$ 900 milhões do espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional UNIP/Objetivo. A operação para tentar prendê-los está sendo realizada nesta terça-feira (31) pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil. Entre os alvos está o também empresário Luiz Teixeira da Silva Junior, apontado como um dos principais nomes do esquema ilegal. Ele já havia sido investigado anteriormente pelas autoridades por suspeita de falsificar um laudo médico sobre uso de drogas para atingir o então candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) nas eleições de 2024 (saiba mais abaixo). Até a última atualização desta reportagem, nenhum dos procurados havia sido preso. Eles são investigados por crimes como estelionato, falsificação de documentos e fraude processual. A TV Globo tenta localizar as defesas deles e representantes da Unip/Obejitivo para comentarem o assunto. Papel de Luiz Teixeira Marçal ao lado de Luiz Reprodução/Instagram Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) do MP e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da polícia, Luiz Teixeira é sócio e administrador da Colonizadora Planalto Paulista e controla 95% da empresa. Para os promotores e investigadores, ele teve um papel central na tentativa de fraude de R$ 845 milhões contra o Unip/Objetivo. A acusação diz que o empresário assumiu compromissos financeiros e jurídicos para dar aparência de legalidade a uma negociação considerada falsa, para justificar na Justiça o acesso à parte da herança. Justiça condena Marçal a indenizar Boulos em R$ 100 mil por fake news Além disso, o nome de Luiz Teixeira aparece em outras ilegalidades: Caso do laudo contra Boulos (2024): ele é acusado de falsificar a assinatura de um médico em um documento divulgado pelo influenciador Pablo Marçal, que atribuía falsamente ao adversário o uso de drogas. Marçal estava disputando à prefeitura pelo PRTB antes de migrar para o União Brasil. A fraude foi confirmada por perícias oficiais. Na Justiça comum, Marçal já foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização a Boulos pelo crime de calúnia, em razão da divulgação do mesmo laudo falso. Luiz Teixeira negou ter falsificado o laudo, mas ainda é investigado. A Justiça eleitoral tornou Marçal inelegível até 2032 por uso indevido dos meios de comunicação; Outros processos por falsificação: ele responde a ações por uso de assinaturas falsas em documentos, incluindo registros ligados a empresas e até documentos acadêmicos, como diploma e ata de formatura em medicina; Investigação sobre desvio na Saúde em Cajamar: o nome dele também já apareceu em apurações sobre suspeitas de irregularidades com recursos públicos na área da saúde na Grande São Paulo. O ex-candidato à Prefeitura de SP Pablo Marçal (PRTB) durante o debate da revista Veja. Ele também divulgou laudo falso contra Boulos a dois dias do 1° turno em SP. Montagem/g1/Reprodução Na operação desta terça, O MP informa ainda que Luiz Teixeira tem ligação com um personagem classificado como “terceiro aproveitador”, que tentou entrar na disputa judicial pela herança, mas teve os pedidos negados repetidamente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Além disso, segundo o Ministério Público, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta indícios de possível conexão de Luiz Teixeira com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os promotores também afirmam que ele estaria vendendo ilegalmente imóveis de terceiros em Piraju, no interior paulista, e pressionando vítimas para que não denunciassem o esquema. Como funcionaria o esquema Foto de arquivo de 02/10/2001 de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo, que morreu neste sábado, 12, aos 82 anos, de causas naturais. Ele deixa esposa e três filhos. J.F.DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO De acordo com o MP e a polícia, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas para dar aparência de legalidade à fraude. A investigação aponta que os suspeitos criaram uma estrutura baseada em: documentos falsos contratos simulados assinaturas adulteradas decisões arbitrais fabricadas Um dos exemplos citados é um contrato de compra e venda de imóveis com assinatura falsa de Di Genio. O documento teria sido datado de três meses antes da morte do empresário, em fevereiro de 2022. Para reforçar a fraude, o grupo teria usado uma entidade chamada Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda), apontada como uma câmara arbitral fictícia. 🔎 O que é isso? Os candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Pablo Marçal (PRTB). Montagem/g1/Divulgação/Fabio Tito Uma câmara arbitral fictícia é uma entidade que se apresenta como um tribunal, mas não tem autorização legal para funcionar. Esse tipo de estrutura pode ser usado para simular decisões judiciais e cobrar dívidas inexistentes, pressionando vítimas a pagar valores indevidos. Segundo a investigação, esse “tribunal” teria produzido uma decisão baseada em testemunhas inexistentes e documentos falsificados, criando uma dívida sem que a família do empresário soubesse. Quem são os investigados Morre, em São Pauo, aos 82 anos, João Carlos di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo O Ministério Público detalha o papel de cada um dos nove alvos: Luiz Teixeira da Silva Junior — apontado como um dos principais articuladores, teria dado sustentação financeira e jurídica ao esquema; Anani Cândido de Lara — sócio da empresa, teria participado da montagem dos documentos e contratos; Wagner Rossi Silva — atuaria no transporte e na tramitação de documentos falsos; Patricia Alejandra Ormart Barreto — teria simulado notificações sem conhecimento do espólio; Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira — faria a ponte entre o grupo e representantes do espólio; Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat — teria ajudado na formalização dos contratos; Carlos Xavier Lopes — ligado ao núcleo financeiro, atuaria para esconder a origem dos valores; Rubens Maurício Bolorino — aparece como testemunha em documentos falsos; Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura — teria atuado como “juíza arbitral” em decisão simulada. Medidas judiciais Fotos do ENEM 2025 na Unip em Campinas, interior de São Paulo Marcelo Gaudio/g1 Campinas e região Além das prisões temporárias, a Justiça autorizou 15 mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista e nas cidades de Guarulhos, Barueri e Jandira. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores dos investigados, com o objetivo de interromper as atividades suspeitas, preservar provas e tentar recuperar prejuízos. A operação é mais um desdobramento das disputas envolvendo a herança estimada em cerca de R$ 845 milhões deixada pelo fundador do grupo UNIP/Objetivo — um caso que já vinha sendo alvo de decisões judiciais por tentativas consideradas abusivas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/31/empresario-alvo-de-operacao-por-tentar-desviar-heranca-da-unip-ja-foi-investigado-por-falsificar-laudo-contra-boulos.ghtml


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