Mulher alega negligência policial após ter sido ameaçada e agredida pelo ex em Itapetininga: 'Não quero virar estatística'

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Vítima diz que teve os tímpanos perfurados devido às agressões em Itapetininga (SP) Arquivo pessoal Uma mulher denuncia ter tido um dos tímpanos perfurado após ser agredida na Vila Belo Horizonte, em Itapetininga (SP), na quinta-feira (26). Ela também alega ter sido vítima de negligência policial. O principal suspeito é o ex-companheiro dela. Ao g1, a mulher, que está internada em uma unidade de saúde desde domingo (29) e preferiu não se identificar, relatou que vinha sendo ameaçada pelo suspeito, inconformado com o fim do relacionamento, desde dezembro do ano passado. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Segundo a vítima, após novas ameaças em fevereiro, ela procurou a polícia, mas foi orientada a retornar para casa. "A pessoa que estava na delegacia disse que não dava para abrir um boletim de ocorrência devido ao horário e que eu deveria voltar para casa. Não tinha ninguém na delegacia naquele momento. Ele mandou eu voltar somente às 20h, mas eu sou uma pessoa que trabalha dois turnos em um restaurante e tenho quatro filhos. Por causa da correria, acabei não voltando", pontua. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na quinta-feira, a mulher passou por uma cirurgia para extração de um dos dentes do siso. Ela relata que, após o procedimento, descansava em casa quando, ao acordar, percebeu que o homem havia invadido a residência. LEIA TAMBÉM: Mulher é morta a facadas pelo ex-companheiro em rua de Sorocaba Acusado de matar companheira grávida em 2022 vai a júri em Sorocaba: 'Justiça vai ser feita', diz irmã "Quando acordei, ele estava em cima da minha cama e mexendo no meu celular. Eu questionei o motivo de ele estar lá e vendo minhas coisas, mas ele disse que 'só estava vendo um negócio'. Acabei dormindo de novo por causa da anestesia, mas acordei com ele me batendo", lembra. Ela diz que o homem leu uma conversa entre ela e uma amiga dizendo que não tinha interesse em reatar o relacionamento com ele e que o homem estaria pagando um valor baixo de pensão aos filhos. Conforme a vítima, após vir as mensagens, o suspeito passou a agredi-la por cerca de 40 minutos. "Eu mal consegui reagir por estar anestesiada. Eu levei muitos tapas na cara e, em um dos socos, eu senti um estouro na minha cabeça. Fiquei muito atordoada, fora de si, parecia que não tinha equilíbrio nenhum no meu corpo", detalha. Mulher afirma que foi agredida por 40 minutos pelo ex-companheiro Arquivo pessoal "Tentei fugir várias vezes, mas não consegui. Em uma das vezes, tentei escapar pela janela, mas ele me pegou pela perna e vinha em cima de mim para me bater ainda mais. Fiquei 40 minutos dentro da minha própria casa apanhando. Ele me trancou no quarto e me enforcou mais de uma vez. Minha voz sumiu e eu nem conseguia gritar mais", completa. A mulher afirma que conseguiu fugir do quarto após o suspeito se distrair enquanto quebrava o celular dela. Ela correu para a casa de um familiar e só retornou à residência depois. Segundo a vítima, ao tentar acionar a polícia, percebeu a presença de viaturas em frente ao imóvel. "Fui para a cozinha e comecei a mexer nas gavetas. Ele achou que eu ia pegar uma faca ou algo do tipo, então ele se fechou lá [no quarto] novamente. Saí da minha casa e fui até a minha irmã. Só voltei depois que ele saiu e fui ligar para a polícia, mas, quando eu estava finalizando a ligação, diversas viaturas já estavam na frente", diz. 'Descaso total' Após o ocorrido, a vítima procurou novamente a polícia ainda na tarde de quinta-feira para registrar o boletim de ocorrência. Ao chegar à delegacia, foi informada de que o ex-companheiro já havia estado no local e a acusado de se autoagredir. "Eu sequer estava conseguindo pensar devido às pancadas que levei na cabeça. Cheguei na delegacia toda machucada e ele disse aos policiais que eu tinha surtado. Um dos agentes disse: 'Moça, mas você não se autoagrediu para acusar ele?' [...] Eu respondi: 'Como é que eu vou fazer tudo isso comigo mesma?'. Eu ouvi um monte do policial", alega. Initial plugin text No boletim de ocorrência consta que o homem foi espontaneamente à delegacia e relatou que, devido a uma discussão entre ele e a vítima, "a companheira teria se autolesionado e afirmado que registraria uma ocorrência em seu desfavor". Ainda conforme o registro, o homem não foi preso devido à falta de flagrante. A única orientação dada ao homem foi para que ele "não retornasse à residência para evitar novos conflitos". No entanto, a orientação foi ignorada, pois ele voltou imediatamente ao local. "Eu senti como se fosse um descaso total. Na hora do interrogatório, meu ex disse que eu havia agredido ele, mas não há nenhuma marca no corpo dele. Até pedi para ele mostrar na frente dos policiais. Eles [os agentes] me disseram que ele não seria preso por falta de flagrante e testemunha", desabafa. Parte do boletim de ocorrência mostra que suspeito se dirigiu à delegacia voluntariamente Arquivo pessoal A vítima relata que passou por consulta médica e foi liberada, porém, ao retornar para casa, constatou o vazamento de secreções de um dos ouvidos e decidiu retornar ao hospital. "Eu retornei na unidade de saúde na sexta-feira (27) e estou aqui até agora. Passei por consulta e os médicos constataram que meu tímpano foi perfurado. Meu pedido de internação saiu na madrugada de domingo (29). Estou sentindo muita dor", pontua. "É uma situação terrível. Peço ajuda, pois não quero virar estatística. Não me sinto protegida pelas autoridades. Parece que, mesmo muito machucada, preferem proteger o homem. É injusto, pois como que a polícia pretende diminuir a taxa de feminicídio dessa forma?", finaliza. O que diz a polícia Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), informou que o homem, de 33 anos, foi detido após agredir a companheira na quinta-feira. Segundo a pasta, policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e, no local, apuraram que o casal havia discutido, ocasião em que o suspeito quebrou o celular da vítima e a agrediu. Ele foi encaminhado ao 3º DP da cidade, onde foi ouvido e liberado. O caso foi registrado como violência doméstica, dano e lesão corporal. Em relação ao relato da vítima de que foi impedida de registrar um boletim de ocorrência após uma ameaça em fevereiro, a SSP informou que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para apurar o caso. "A instituição reforça que a conduta mencionada não condiz com os princípios e protocolos adotados, e que preza pela legalidade, ética e respeito aos direitos das vítimas. Todas as unidades policiais estão plenamente capacitadas para registrar e investigar casos de violência contra a mulher", afirma a nota. Ainda conforme a nota, a Polícia Civil solicitou uma medida protetiva de urgência a favor da vítima à Justiça. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itapetininga. Caso foi registrado na Delegacia Seccional de Itapetininga (SP) Reprodução/TV TEM Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/03/31/mulher-alega-negligencia-policial-apos-ter-sido-ameacada-e-agredida-pelo-ex-em-itapetininga-nao-quero-virar-estatistica.ghtml


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