Vídeo mostra momento em que pastor é vítima de gangue do quebra-vidro no Centro de SP
30/03/2026
(Foto: Reprodução) Gangue do quebra-vidro rouba celular de um homem na Rua Glicério, em São Paulo
O pastor William Antonio Monteiro teve o celular roubado na manhã do dia 4 de fevereiro, após um indivíduo quebrar o vidro de seu carro enquanto ele estava parado no trânsito na Rua Glicério, no Centro de São Paulo.
A ação aconteceu às 9h41 quando a vítima se dirigia a uma consulta médica.
Uma câmera instalada dentro do carro do pastor registrou quando o suspeito se aproximou do veículo, estilhaçou o vidro e levou o aparelho celular antes de fugir a pé. (veja vídeo acima)
O crime, cometido em poucos segundos e em plena luz do dia, segue um padrão recorrente na região, onde criminosos se aproveitam do trânsito lento para atacar motoristas e roubar objetos de valor. O Fantástico deste domingo mostrou esse mesmo tipo de crime contra outras vítimas na mesma Rua Glicério.
O pastor Willian afirmou ao g1 que o ocorrido o pegou de surpresa. “De repente, a gente ouve um barulho muito alto. De primeira impressão, eu achei que alguém tinha batido no carro, mas depois você vê uma mão entrando e puxando o que alcança. No meu caso, levaram o celular”, relata.
O pastor ainda contou que, como estava no trânsito, não conseguiu reagir. “Você está com o cinto, no trânsito parado, sem reação. Na hora você pensa em sair atrás, mas começa a calcular o risco e decide não sair”, diz.
Ele afirmou que havia uma base policial próxima ao local. “Eu tinha uma viatura a uns 100 metros atrás e uma base comunitária logo à frente. Mesmo assim, não teve nenhuma ação imediata”, afirma.
Além do prejuízo material, ele destacou o impacto causado pela perda do celular: “Não é só o bem. Hoje a gente carrega a vida dentro do celular: documentos, informações, tudo trava. Você fica sem saber o que fazer”.
Gangue quebra-vidro aterroriza motoristas em São Paulo.
Reprodução/Fantástico
A vítima conseguiu rastrear o aparelho dias depois, que indicava um endereço já conhecido por concentrar produtos roubados, o chamado "ninho de celulares".
O local a que se refere é a Rua Guaianases, no Centro de São Paulo, que já foi alvo de operações da Polícia Civil pelo menos desde 2017.
“O rastreamento mostrou que o celular estava naquele lugar que aparece nas reportagens, o ‘ninho do celular roubado’. A gente sabe onde está, mas não consegue acessar”, disse.
Ele ainda ressaltou que o sentimento é de impotência diante da repetição dos crimes. “Está tudo acontecendo na frente de todo mundo, e a população fica de mãos atadas. Eu não fui o primeiro e nem vou ser o último”, lamentou.
Dias após o crime, o pastor relatou que voltou a ser alvo dos criminosos, desta vez por meio de mensagens com tentativa de golpe. Segundo ele, os autores passaram a simular comunicações oficiais para tentar acessar o aparelho.
William Monteiro ainda não registrou boletim de ocorrência por, segundo ele, estar tentando encontrar o IMEI do aparelho celular, número de registro digital que torna o dispositivo único e o protege.
Especialistas, no entanto, reforçam que o ideal é que as vítimas procurem uma delegacia o quanto antes para formalizar o registro, o que ajuda nas investigações e no mapeaento desse tipo de crime.
O que diz a Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo:
"As forças de segurança atuam de forma integrada no enfrentamento às ações criminosas, incluindo os casos conhecidos como “quebra-vidro” e roubos e furtos de celulares. As medidas incluem operações permanentes, intensificação da fiscalização de veículos e reforço do policiamento em vias de grande circulação e com maior incidência de crimes. Em janeiro deste ano, os registros de roubos e furtos na capital apresentaram queda de 11% em relação ao mesmo período do ano passado.
As forças de segurança também atuam no combate à receptação com operações Impacto, Big Mobile e Mobile, e com o programa SP Mobile, que desde 2025 envia notificações a aparelhos com restrição criminal, ampliando a eficácia no combate à receptação. Desde o início da atual gestão, mais de 82,6 mil celulares foram recuperados, com devolução de mais de 50% às vítimas e a prisão em flagrante de mais de 1,2 mil criminosos.
Na área da 1ª Delegacia Seccional (Centro), houve redução de 18,81% nos roubos em geral e de 14,89% nos furtos em janeiro, na comparação anual. No período, 590 infratores foram presos ou apreendidos e 19 armas de fogo foram retiradas de circulação — cinco a mais que no mesmo mês do ano anterior — contribuindo para a diminuição da criminalidade na região.
A Polícia Civil não localizou registro da ocorrência com base nos dados fornecidos pela reportagem e orienta que crimes sejam comunicados às autoridades pelo telefone 190 ou por meio do registro de boletim de ocorrência, que pode ser feito pela Delegacia Eletrônica ou em qualquer unidade territorial. A formalização é fundamental para orientar o policiamento e subsidiar as investigações."
*Sob supervisão de Cíntia Acayaba